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Situada muito próximo da Serra d’Aire, Minde participa das curiosidades geomorfológicas que caracterizam essa serra.
Minde compreende a vila e os lugares de Vale Alto e Covão do Coelho. Está situada muito próxima da Serra de Aire, no extremo norte do concelho. A região apresenta escassez de terras férteis para a agricultura, pelo que, desde cedo, terão surgido a pastorícia e o fabrico artesanal de lanifícios. Uma das suas maiores riquezas é a sua etnografia, que apresenta uma variedade e complexidade, com forte expressão o calão minderico, ainda actual, o que é sinónimo de uma intensa e longa vida comunitária. Crê-se que a freguesia de Minde surgiu a partir de uma ermida de invocação a Nossa Senhora do Cerejal, onde havia missa, sendo os funerais e os sacramentos feitos em Santa Maria. No entanto, em 1547, Minde tinha já por orago exactamente, Nossa Senhora da Assunção. Foi por ligação à actividade de produção e venda de mantas de terra em terra, pelos frades ou por quaisquer outros indivíduos ligados à lã, à cardação, à tecelagem, ou à venda destes artefactos, que surgiu o “calão minderico” ou “piação de charales”, que mais não é do que agarrar em elementos vocabulares do português da região e deslocá-lo dos seus significados comuns, no propósito de criar uma língua secreta que permitisse a autodefesa do grupo. O fabrico de mantas foi a produção que mais celebrizou Minde. O seu modelo é inspirado no Alentejo (reguengos), depois de terem fabricado mantas de trapos tipo mescla e tipo preto e branco. Foram os pequenos industriais e as suas famílias os inovadores e os obreiros das mantas de Minde. Uma das maiores riquezas de Minde é a sua etnografia, que apresenta uma variedade e complexidade tal que só pode ser sinónimo de uma intensa e longa vida comunitária., que rege todos os actos da vida dos naturais, do nascimento até à morte, no labor diário e nas festas, na religiosidade e até num certo paganismo que transparece em certos usos, certificando as suas remotas origens. Nesta localidade trabalha-se também no sentido de dignificar o espólio do pintor Roque Gameiro, actualmente à guarda do CAORG, estando parte do mesmo em depósito no Museu de Caldas da Rainha e outra parte em exposição no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian.
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